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Liberdade de expressão, não de agressão

Tema: Liberdade de expressão, não de agressão

Veículo: Diário da Manhã

Número: 11.160

Página: 27

Caderno: Opinião Pública

Data: 07/05/2018

Liberdade de expressão, não de agressão

 

A Constituição da República Federativa do Brasil expressa, em seu Art. 5º, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Ao que parece, alguns brasileiros confundem liberdade de expressão com liberdade para agressão. A prática, infelizmente comum nas “torcidas organizadas” do futebol mundial, avança para a seara política e social. As agressões, físicas e verbais, ocorrem diariamente em vários locais no Brasil. É um tiro no acampamento que alguém considera não estar correto, é um traumatismo craniano em um outro que não pensa como o agressor, um xingamento aqui, um empurrão acolá.

Enquanto jornalistas são assassinados e/ou impedidos de trabalhar, cada vez mais as notícias falsas invadem as mentes dos menos críticos, em um trabalho diuturno dos menos honestos. E a tropa cresce cada vez mais de ambos os lados. Jornalismo engajado e falacioso, contando meias verdades - que não deixam de ser meias mentiras, conduzindo a entendimentos completamente equivocados -  com milhares de replicadores humanos e não-humanos, com o firme propósito de tirar proveito de algum modo.

Em verdade, historicamente o Brasil nasceu como terra de exploração. E, meio milênio depois, continuamos no mesmo pé, como se estivéssemos aqui não para permanecer, mas para explorar o máximo e seguir para uma terra melhor que esta, onde a lei é respeitada e as pessoas não são exploradas. Mas, paradoxalmente, o desejo pelas terras de lá é tido pelas mesmas pessoas que não respeitam a lei e exploram as pessoas, nessas terras de cá.

Na terra dos sem-lei, a força é a melhor arma. São milícias que extorquem cidadãos, policiais que descumprem leis que cobram do cidadão, políticos usurpadores do patrimônio de todos, eleitos democraticamente pelos votos que conseguiu comprar ou conquistaram por fake news, pressões sociais ou pelas clássicas promessas que são facilmente esquecidas por quem prometeu e a quem foi prometido. São eleitores em busca de uma vaguinha de emprego para o filho, de um terreno para construir sua casa, de um aceno que o faça sentir gente.

Nessa terra sem-lei, as pessoas desaprendem o respeito, a tolerância e a civilidade. Atiram em um grupo que pensa diferente, atacam alguém que se veste ou age de modo diferente, ridiculariza o diferente e matam aqueles que torcem ou oram para outros que não para quem eu torço ou oro. Imagino se todos torcessem pelo mesmo time e se existisse somente o time para o qual  eu torço, como seriam enfadonhos os jogos, jogando sempre consigo mesmo.

Parte da sociedade confunde a liberdade de expressão do pensamento com a inexistente liberdade de agressão e repressão dos que não pensam ou agem iguais. O mais extraordinário é que essa parte da sociedade jura que está apenas defendendo seu direito de expressão, e que apenas se defende dos ataques dos outros. Culturalmente, aprendemos a explorar a sociedade e a buscar culpados, ao invés de construir uma sociedade e a buscar soluções. Somos frutos de nossa história, com uma boa pitada de cultura de autoflagelação social.

Clique aqui para ler o artigo publicado.

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