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O gosto contemporâneo pela conectividade

Tema: O gosto contemporâneo pela conectividade

Veículo: Diário da Manhã

Número: 10.979

Página: 19

Caderno: Opinião Pública

Data: 06/11/2017

 

O gosto contemporâneo pela conectividade

Observar a cultura contemporânea, seus gostos e valoração de seu patrimônio material e imaterial, permite enxergar como vetor de um tempo o acentuado gosto pela conectividade. Desde o cruzamento da indústria e do comércio, formando ecossistemas, passando pela economia globalizada, até se chegar ao cotidiano das pessoas com seus smartphones e computadores, a inegável presença da tecnologia dá o tom da conexão exercida em ambientes micro, meso e macro. Das mais variadas faixas etárias e sociais, a presença dos aparelhos tecnológicos é inegável. No Brasil, pesquisas apontam que em 2016, para uma população de pouco mais de 206 milhões de habitantes, havia pouco mais que 244 milhões de celulares, alcançando  impressionantes 118% de densidade na relação celulares/habitantes, segundo dados da Teleco Inteligência em Telecomunicações.  

Em 2015, 92,1% dos domicílios brasileiros acessaram a internet por meio do telefone celular, enquanto 70,1% dos domicílios o fizeram por meio do microcomputador. Em 2014, o acesso à internet alcançou 80,4% dos domicílios e se deu por meio do celular, que também foi predominante em relação ao uso do computador, que atingiu 76,6% dos domicílios, segundo dados do IBGE. Esses dados indicam que mobilidade e conectividade andam juntas, em uma perspectiva da vida conectada, independentemente do local em que a conexão se dá.

Esse traço da contemporaneidade, identificado como a eliminação das condições on e off line, instaura um inquietante predomínio da conectividade no cotidiano das pessoas. Em parques, escolas, bancos, metrôs e quaisquer outros lugares, nas cidades e no campo, é provável que pessoas estejam verificando suas redes sociais e aplicativos de comunicação em seus smartphones. Essa perspectiva, já produnda no gosto da sociedade contemporânea, não elimina sequer atividades que demandam um quase isolamento, como em rituais religiosos, nas salas de cinema, nas salas de aula e até mesmo nos presídios. A presença dos aparelhos tecnológicos de comunicação assumem uma incidência tal, que é possível falar sobre uma onipresença da tecnologia, de igual modo como é possível falar sobre uma onipresença de pessoas nas redes.

A caracterização social em camadas informacionais aderentes ao mundo natural pode ser melhor compreendida nos processos de digitalização e virtualização de documentos, saberes, comunicação e processos envolvendo toda a sorte da organização informacional social, como economia e relacionamentos. A tecnologia desmaterializou a concretude dos documentos, da moeda, de objetos estéticos e das relações sociais, possibilitando que a sociedade contemporânea viva, efetivamente, o modelo social moldado pela ciência e por sua filha mais proeminente, a tecnologia.

Na cultura, a integração social experimenta modelos baseados nas relações mediadas pela tecnologia, em acessos a redes e sites sociais. A comunicação se intensificou, adotando modelos assíncronos e imediatos, presenciais e remotos, experimentando o relativismo do espaço-tempo. Os deslocamentos pelo mundo, contudo, continuam em acelerado crescimento, alimentados pelas relações decorrentes da comunicação. O modelo massivo, que se mantém como prática social, inclusive na tecnologia, encontrou seu par no modelo pós-massivo, reinventando relações de todas as ordens. De produção e consumo de informação até a relação entre marcas e consumidores, os agora prosumidores buscam relacionarem com marcas e produtos, assumindo um gosto pautado pela experiência de consumo. Se desde os anos 1990 já apontava o modelo que deixava o consumo baseado em posse para o consumo baseado em uso, é na  condição pós-moderna que a sociedade passa a operar sobre novas perspectivas de gosto: a conectividade.

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