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Balbúrdia

Tema: Balbúrdia

Veículo: Diário da Manhã

Número: 11.505

Página: 20

Caderno: Opinião Publica

Data: 13/05/2019

A turbidez parece se intensificar. A recente fala do excelentíssimo ministro da Educação, Abraham Weintraub, criou uma balbúrdia na Educação brasileira, justamente a área que o ministro deveria conduzir e proteger. A fala, que evidencia seu desconhecimento da produção acadêmica e científica das universidades federais da Bahia, Fluminense e de Brasília, e pouco depois alargada para todas das Instituições Federais de Ensino Superior, causou reação imediata em todo o setor. A balbúrdia atribuída por ele às universidades pode ser exemplificada pela própria fala do ministro, pelos impactos que causou.

Mais que isso, a infelicidade suplantou o efeito inicial quando, na semana seguinte, o mesmo ministro declarou que não houve cortes do orçamento das IFES, mas somente o contingenciamento, que seria liberado quando o projeto da Nova Previdência fosse aprovado. A infelicidade não poderia ser maior – ou poderia: ao condicionar a liberação da verba à aprovação de um reforma, a fala se alinhou à chantagem, frágil e débil estratagema normalmente utilizado com público infantil.

A debilidade da chantagem se verifica na ausência de argumentos, justamente na área que preza pela inteligência e pela discussão argumentativa de pontos de vista e posições. Ao fazer uso de um recurso que se verifica em padrões cognitivos pouco desenvolvidos, o ministro ou se define como tal ou o faz em relação aos seus interlocutores, a saber todas as IFES. De um ou outro modo, a inaptidão do emissor é absolutamente notória e igualmente lamentável.

Quanto aos cortes orçamentários das IFES, objeto do conflito deflagrado pelo MEC, seria preciso observar que o orçamento federal é aprovado pelo Congresso Nacional e convertido em Lei. O contingenciamento, além de significar na prática a inviabilização do funcionamento das instituições, é claro e patente afronto ao Congresso Nacional e ao sistema legal brasileiro, haja vista não ter justificativa outra que não a chantagem apresentada pelo senhor ministro, atenuada, por uma figura de linguagem, o eufemismo. A imprudência da ação é base de investigação de alguns Ministérios Públicos Estaduais, inclusive por colocar em risco o texto constitucional de a Educação ser direito de todos e dever do Estado.

Ao atribuir baixa produção a algumas instituições e lançar mão de estratégia pouco elaborada, além dos questionáveis e indefensáveis cortes orçamentários, chamados posteriormente de contingenciamento, o ministro da Educação evidencia desconhecimento da área que teria obrigação de conhecer, estabelece balbúrdia no setor que deveria defender e representar e presta o desserviço de colocar o setor na mira de discussões constitucionais, palco que deveria ser objeto de estudo, jamais de protagonismo – e como réu.

Inábeis e débeis seriam os adjetivos mais apropriados para as falas do Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação, isso na melhor das hipóteses. Sua atuação, insensata, representa bem o que é, de fato, balbúrdia. Não o que é feito nas Universidades Federais Brasileiras, muito bem posicionadas em rankings internacionais de produção científica e acadêmica, além de ser motor de transformação e desenvolvimento sociais e de inovação científica. 

Leia o artigo publicado.

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