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O pensamento e sua permanência na cultura

O pensamento e sua permanência na cultura

Tema: O pensamento e sua permanência na cultura

Veículo: Diário da Manhã

Número: 10.888

Página: 20

Caderno: Opinião Pública

Data: 07/08/2017

O pensamento e sua permanência na cultura

Desde a invenção da escrita, fato que divide o tempo entre a pré-História e a História (em aproximadamente 3.500 a.C.), sua gravação é uma epopeia. Não bastasse a saga para essa invenção, o modo de manutenção também gerou, ao longo da História, fatos extraordinários, em um número enorme de superfícies e materiais. Pedra, argila, papiro, pele de animais, papel e, mais recentemente, a impermanência dos fluxos luminosos dos pixels, todos esses suportes foram largamente utilizados - e ainda o são.

A conformação da matéria escrita igualmente mantém uma história rica, tendo pergaminhos, códices, incunábulos e livros como objetos mais conhecidos. Recentemente, e-books, arquivos de texto, e-readers, aplicativos e suas variações constroem o repertório de dispositivos e formatos de apresentação da matéria livresca, conteúdo que até há pouco tempo tinha no livro sua conformação mais usual.

Há registros de que, com o surgimento do áudio-livro, na década de 1940, os livros impressos perderiam espaço. Não foi exatamente o que aconteceu. Na década de 1990 futurólogos determinavam o tempo de sobrevida do livro impresso, visto que a tendência era pela eliminação desse objeto em prol de um substituto, o livro eletrônico, conhecido como e-book. De modo similar, a frustração da previsão foi a resposta da cultura. Os livros impressos se mantêm, em fecundo terreno, apesar de crises econômicas resultarem em terremotos para a área, com gráficos em linha descendente. Todavia, a linha indica redução e não desaparecimento.

De outro lado, o consumo de informação cresce, em especial para veículos transmídia - utilizando várias mídias, como TV, rádio, jornal, revista, blogs, vlogs, redes sociais e outros. O hábito de leitura não aterrissa, embora não navegue em céu de brigadeiro.

A leitura e o leitor descobrem novas formas de se construir, fazendo ver que livro, pedra, argila ou pixel são formas de apresentar o pensamento, não de moldar suas formas de existir. A escrita, ao longo de pouco mais de cinco mil anos, experimentou várias condições materiais de apresentação, mas o pensamento é que desafia o tempo, inscrevendo-se na cultura, nos vários estágios, métodos, materiais e tecnologias que ela experimenta.

Seja jornal, livro, revista, e-readers, smartphones ou qualquer outro dispositivo, o pensamento vai mais longe, como o poeta já disse. A imaterialidade do pensamento toma de empréstimo a materialidade do suporte em que se assenta. Mas locus continua sendo a cultura, independentemente do material, da tecnologia ou da mídia. A escrita é a inscrição do pensamento na pele da cultura, mas seu lugar não se prende à determinação da materialidade.

Clique aqui para ler o artigo publicado. 

O pensamento e sua permanência na cultura

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